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O Julgamento/Cassandra (III)
A Guerra Muda
Nome O Julgamento/Cassandra (III)
Escrito por MorgaineLeFay
Data de lançamento 23/01/2016
Simsérie A Guerra Muda
Classificação Classificação 14 anos 14 anos

Cronologia
Temporada 4
Capítulo Anterior O Julgamento/
Cassandra (II)
Próximo Capítulo Polixena/Gusmão
Mudou-se

Propriedade

A Guerra Muda - Capítulo 35: O Julgamento/Cassandra (III) é de propriedade de MorgaineLeFay. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.

Informações

  • Vamos acabar logo com isso, não é? Quero deixar claro que meu plano original era postar os capítulos do julgamento com intervalos de três dias, e a única exceção a isso foi o capítulo anterior, porque me esqueci de postá-lo na data. Então, pensei em manter o ritmo do capítulo anterior, mas acontece que eu já tenho dois capítulos prontos e estou escrevendo mais um, então... Já deu, né?

O Capítulo

Eu já estava sentada há horas. Satisfeita, é claro, pelo andamento da audiência, mas a cadeira era dura e aquilo já estava desgastante. A única testemunha de Dina era Polixena, que sentou-se na cadeira dos depoentes com muito má vontade. Ela não quis testemunhar para nós, contra a própria mãe, e respeitamos isso. Portanto, surpreendeu-se quando a própria Dina a arrolou como testemunha. Lembro-me de Polixena me dizer que não entendia o que a mãe poderia pensar que ela teria de bom para dizer, mas não se podia recusar um convite da lei..

- Senhorita Caixão - Daniel disse, a voz doce e melosa. - A senhorita entende que sua mãe está, aqui, sendo injustamente acusada de assassinato?
- Eu entendo que ela está aqui sendo acusada de assassinato. - Polixena deixou o "Injustamente" para fora.
- A sua mamãe! Deixe-me contar uma história para você. Minha mãe se chamava Diana, e ela sempre fez de tudo por nós. Era dona de casa, uma boa dona de casa, uma mãe carinhosa. Hoje, ela está morta, e eu gostaria de ter tido a chance de...
- Protesto! Não temos tempo para historinhas! - disse Beto, a meu pedido, porque eu não queria que a menina fosse torturada com chantagens emocionais.
- Protesto negado! - Respondeu Hugo Grotius.
- E o senhor é quem mesmo? - O Juiz ralhou, e eu pensei que o veredito seria dado ali, naquele momento, pelo tom que ele usou. Daniel continuou, de qualquer maneira.
- Gostaria de ter tido a chance de dizer a ela que a amava, de agradecer por tudo, ou ao menos de falar com ela uma última vez. A sua mãe está viva, senhorita. Não espere até que algo de ruim aconteça para fazer algo por ela.
- Não estou entendendo...
- É só uma mensagem. Uma mensagem de amigo. Vamos, fale pra mim. É verdade toda essa coisa de que a sua mãe a negligenciava? - Daniel perguntou, com uma caretinha do tipo "Claro que não, não é? Isso é loucura."

Cap 31 13

- O senhor está induzindo a testemunha a responder o que quer, senhor Dos Encantos. Eu estou perdendo a paciência. - novamente, o juiz precisou ralhar com a defesa destrambelhada.

Polixena não respondeu de imediato. Em vez disso, ergueu um pouco o vestido que usava e mostrou as duas pernas com hematomas, faixas roxas desbotando acima do joelho.
- Isso aqui aconteceu quando eu caí contra o meu criado mudo há duas semanas, quando ela entrou no meu quarto e me empurrou. A marca ainda não saiu. Eu costumava ter muitas dessas. Sim, você pode dizer que ela me negligenciou. Tudo o que disseram é verdade, ela nunca tomou conta de mim, sempre foi o meu pai ou o Alex. E ela me batia. Sempre descontou as frustrações em mim. Já me disse que queria ter me abortado, e todas essas coisas. Chamava o meu pai de múmia...
- Mas Polixena! Por que espécies de pressões psicológicas a sua mãe não deveria estar passando quando disse essas coisas, hein?
- Nada disso justifica descontar em mim. Eu já disse tudo o que tinha para falar. - Polixena se levantou, começando a chorar, e então sentou-se ao lado de Gusmão. Eu queria consolá-la, e Alexandre estava sussurrando, em meu ouvido, histericamente, "se ela tivesse dito isso antes, eu teria matado a desgraçada!". "Pelo amor de Deus, fique quieto e olhe pra frente", eu respondi, nervosa.

- Certo - disse o juiz - Já ouvimos todas as testemunhas, e essa sessão já dura oito horas. Suponho que a defesa já tenha inquirido todas as testemunhas que tinha para inquirir, então passemos aos indiciados. A começar por Hugo Grotius.

Beto levantou-se novamente e se sentou na cadeira apropriada. Hugo Grotius fez o mesmo, e os dois estavam cara a cara. Eu sabia o quanto esse momento significava para Beto - confrontava o pai, depois de anos, o pai que ele culpava pelo suicídio da mãe. Quantas coisas ele queria dizer, e não podia...

- Você aprendeu direito, garoto - Grotius disse, baixo.
- Eu me virei como precisava. Hugo Grotius, o senhor é acusado de forjar o testamento de Vladmir Caixão. É verdade que Dina Caixão o procurou e o persuadiu para que fizesse isso?
- Você ainda acha que sua mãe morreu por minha culpa, não é?
- Responda à minha pergunta.

Cap 31 21

- Não, não é verdade.
Beto apertou as pernas da cadeira, e as falanges de seus dedos estavam esbranquiçadas.
- Então ela modificou o testamento sozinha? Não era advogada, não teria como fazer isso.
- Nenhum testamento foi modificado. Havia um erro no primeiro, então o Vladmir disse para consertar. Eu passei na casa dele, e ele assinou o segundo.
- Há testemunhas que viram Dina Caixão entrando em sua casa, o que o senhor diria disso?
- De fato, ela foi até a minha casa diversas vezes para fazer consultas jurídicas.
- Em cima da cama?
- Você não é pago para me insultar, ou à Senhora Caixão, e não tem como provar nada.
- Ah, pare com isso. Eu mesmo vi vocês dois, e foi nojento!
- Senhor Scipio, queira ater-se aos procedimentos legais.
- Desculpe-me, meritíssimo. Senhor Grotius, o senhor reconhece que cedeu sua casa para que Dina Caixão e Maicon Wulfiger invocassem extraterrestres para transportarem Evelise?
- Não. Essa história não faz sentido nenhum, o senhor me chame para depor quando o caso não envolver contos de fadas. - Hugo Grotius riu. Beto disse ao juiz que havia terminado.
- Levante-se, Hugo Grotius. O senhor é acusado de falsificar um testamento, induzindo a vítima ao erro para que assinasse, e de chantagear funcionários públicos para que expedissem ordens judiciais em nome do juiz. O senhor confessa esses crimes, sabendo que sua pena pode ser diminuída em 1/8 se o fizer?
- Eu não confesso.
- Certo, pode sentar-se.

- Esse miserável. Ele estava brincando comigo, você viu, Cassandra?
- Ele só queria se safar, querido. Não se preocupe com isso, ele provavelmente vai ser condenado de qualquer maneira.
- Eu sei que sim. Eu só queria que ele tivesse feito mais coisas, para que a pena pudesse ser maior.
- Ei, ei, você precisa voltar pra lá - eu o empurrei brevemente. - Você precisa ir, agora é a vez do namoradinho da Dina.

Maicon Wulfiger era muito bonito, mesmo eu precisava reconhecer. E parecia tranquilo, por isso pensei que não ia colaborar, como o pai de Beto fizera, ou que não houvesse nenhuma culpa a ser confessada.

- Maicon Robertson Oliveira da Silva, conhecido como Maicon Wulfiger. Há quanto tempo o senhor tem se envolvido com Dina Caixão?
- Há cerca de sete anos.
- Nesse meio tempo, o senhor tinha conhecimento dos crimes dela?
- A Dina não é uma criminosa!
- Certo... o senhor conhecia a Evelise?
- É, conhecia. De vista.
- E foi o senhor quem a apresentou para a senhora Caixão?
Maicon pensou muito antes de responder.
- Fui eu. A ideia foi toda minha.

Cap 31 17

- A ideia?
- Sim. Eu me lembrei de que a Evelise se parecia com a Laura, então eu a apresentei para a Dina e falei "pague-a para fingir que é a Laura verdadeira". E fui eu que tive a ideia da abdução também. O plano foi meu, foi todo meu. A Dina não teve nada a ver com isso.
- Oh. - Beto coçou o queixo. - Você estava com a Dina quando ela sequestrou a Cigana?
- A gente passou uns três meses terminados. Mas eu não quero responder isso.
- Certo.
- O senhor confessa ter atribuído a Evelise a falsa identidade de Laura Caixão?
- Sim, eu confesso.
- Por que o senhor fez isso?
- Porque a Dina estava preocupada de que poderiam acusá-la de ter matado a Laura. A Dina não matou a Laura, ela jamais faria isso, ela queria só provar que a Laura estava viva. Ou eu queria, que seja.
- Muito obrigado, senhor Silva. Pode se sentar.

Maicon obedeceu, e Beto voltou para o meu lado.
- Você conseguiu uma confissão!
- Não a que eu queria, de qualquer forma. Se a Dina confessar, entretanto, acho que o meu pai está ferrado.
- O seu pai vai se dar mal de qualquer forma, pelo visto.

O juiz o chamou novamente, e Beto foi.

- Dina Caixão, é a sua vez.

Dina estava fora de si quando sentou-se na cadeira. Tinha a coluna torta e me olhava de baixo para cima, os olhos verdes pareciam duas lanternas. As narinas estavam infladas, porque Dina respirava rápido.

- Dina Caixão, por que a senhora se casou com Vladmir Caixão?
- Porque eu o amava. Ele estava muito sozinho sem a esposa - ela disse, a voz metálica e seca, cada letra significando mil outros tipos de ameaças de morte.
- E para onde a esposa dele tinha ido?
- Virar prostituta em alguma esquina, suponho.
- Lave a boca para falar da minha mãe, sua assassina! - Alexandre gritou.

Cap 31 25


- Não ouça, querido, não ouça - eu tentei acalmá-lo.
- A senhora presenciou a criação do testamento do seu marido? Quis modificá-lo?
- Não, para mim estava ok que ele quisesse deixar minha filha e eu a ver navios, depois de ter trepado comigo - ela disse, arregalando os olhos.
- Por favor, isso é um assunto sério. A senhora conhecia Evelise do Espírito Santo?
- Para o meu eterno desprazer.
- Quando a senhora a conheceu?
- Quando ela foi rodar bolsinha na esquina da casa da Cassandra.
- A senhora tinha raiva de seu marido?
- Não, imagina. Ele era uma mumiazinha adorável, principalmente quando me comia, virava para o lado e roncava. Como alguém poderia odiar Vladmir Rugabaixa - ela fez um trocadilho vulgar com esse sobrenome, na verdade - Caixão?
- Senhora Caixão...
- A senhora sequestrou a Cigana Casamenteira?
- A Cigana Casamenteira pode ir tomar no cu.
- Senhora Caixão...
- Sim?
- A senhora matou seu marido?
- Ah, eu matei. Matei mesmo. E você nunca, ou talvez em seus delírios mais profundos, vai conseguir imaginar a satisfação que me deu quando eu o via emagrecendo, murchando, definhando, morrendo de dentro pra fora!

- ASSASSINA! - Eu gritei, chorando. Finalmente, ela admitia que tinha matado o meu pai. "Ela o seduziu, e depois o matou, ela o seduziu, e depois o matou", eu ficava pensando, e achei que fosse enlouquecer por um momento. De repente, todo mundo estava me segurando, e então me sentei, esfregando os olhos e voltando para a realidade.

- Eu matei o seu pai, Cassandra! Eu matei o Vladmir! E você descobriria que essa é a única coisa que se pode fazer quando precisar se deitar com um velho, como eu fiz. Quando parir um demônio como a minha filha. A vida nunca foi justa para mim. Meu pai perdeu muito dinheiro quando eu era criança, e minha mãe criou nós duas, Nina e eu, para fazermos bons casamentos que nos tirassem da miséria. Mas a Nina não queria saber de nada, e toda a responsabilidade caiu em cima dos meus ombros. - Dina apontou para si. - Eu precisava me manter e manter minha irmã! E eu queria ter matado a Laura, do fundo do meu coração, e eu teria matado se ela não tivesse sumido antes. Mas matei o marido dela, e isso já me deixou feliz!
- Senhora Caixão, se acalme. - O juiz batia o martelo enquanto Dina gritava, com a voz rouca.
- Eu não terminei. Uma vez na vida, me respeitem! A prostituta! A golpista! Mas o meu golpe foi perfeito quando eu seduzi esse cosplay de papai noel para fazer outro testamento, ele teve pena de mim e eu sempre tive pena dele. Porque ele é um velho! Outro velho! E depois o Maique - ela deu o equivalente a um sorriso para o namorado, algumas lágrimas escorrendo de seus olhos - que só queria me ajudar, arranjou aquela otária para fingir ser a Laura, que eu espero que esteja ardendo no inferno! Sim, eu fiz isso, eu fiz tudo! Criei um testamento, matei o Vladmir, sequestrei aquela bruxa, mandei a periguete se fantasiar de Laura, dei a essa deserdada o que ela merecia - apontou para Polixena. - Eu fiz tudo, e eu não ligo pra vocês! Quero que vão todos se ferrar bonito!

Dois guardas precisaram arrastar Dina para que se sentasse, mas ela continuou se debatendo numa cena horrível e o juiz mandou que a tirassem da sala, para que ele pudesse dar o veredito e somar as penas. Estávamos autorizados a sair, mas todos nós ficamos em nossos lugares, esgotados. O juiz levou meia hora para calcular as penas, e então voltou.

- Tragam a acusada Dina Caixão.

Cap 31 26

Dina foi trazida, com todos os fios de cabelo no lugar e a maquiagem escorrendo pelas bochechas. Mas já não chorava, e ficou quieta em seu lugar, no qual sentou rigidamente.

- Muito bem. Hugo Grotius, você - ele apontou o dedo para o advogado - desonrou uma carreira de mais de 50 anos. Eu o condeno por falsificar o testamento de Vladmir Caixão e por emitir um mandado de segurança inverídico à custa de chantagens, além de falsificar uma interdição de Vladmir Caixão e passar sua curatela para Dina Caixão sem os devidos processos legais. Está condenado à reclusão de 5 anos, e suspensão de sua licença para advogar. Maicon Robertson de Oliveira da Silva, sua pena é de 4 meses de detenção, por crime de falsa identidade, convertidos em prestação de serviços à comunidade, pelo mesmo período. Dina Caixão... A senhora está condenada por sequestro, chantagem, negligência, falsificação de documentos e homicídio a 39 anos e 4 meses de reclusão, sem fiança, sem remição, sem livramento condicional ou progressão de regime. A sentença deve começar imediatamente a ser cumprida.

Para a minha surpresa, Dina ainda teve coragem para se levantar, chorando.

Cap 31 27

- Depois de tanto esforço! Depois de tudo o que eu tive que passar, é assim que vocês querem que eu fique? Acham que foi fácil? Minha vida inteira foi uma miséria, uma completa miséria!
- Levem a condenada.
- Condenada! Eu! Condenados estão vocês - Os guardas começaram a arrastar Dina, mas ela continuou gritando. - Isso não vai acabar aqui, podem ter certeza. Eu nunca vou parar, a guerra só acaba quando eu vencer! Quando eu andar por cima dos corpos de vocês...

Os gritos diminuiram conforme a distância aumentava, e por fim terminaram.

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