FANDOM


Amor à Primeira Missa
Condenação - Capítulo 2
Nome Amor à Primeira Missa
Escrito por João PDF
Data de lançamento 07/03/15
Simsérie Condenação
Classificação Classificação 12 anos 12 anos

Cronologia
Capítulo Anterior Um Homem Temente a Deus
Próximo Capítulo Encontro Forjado
Mudou-se

Propriedade

Condenação - Capítulo 2: Amor à Primeira Missa é de propriedade de João PDF. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.

Amor à Primeira Missa é o segundo capítulo de Condenação, a terceira simsérie de João PDF. Foi originalmente postado em 7 de março de 2015.

Capítulo

Durante toda a missa, Eduardo não conseguia tirar os olhos de Helena. Chegando a se perder algumas vezes e confundir os fiéis, o noivo de Helena, Túlio, acabou percebendo. Enciumado, ele começa a puxar assunto com sua esposa.

–Helena, você percebeu?

–O quê?

–Aquele padre não para de olhar para você. Estou ficando preocupado.

–Ah, deixa disso, amor. Deve ser porque nós somos novos na igreja.

–Não sei não... Ele está suando muito, na minha opinião.

–Até eu estou suando um pouco com esse calor infernal! Ele deve estar nervoso com algo, deixa pra lá.

–Exatamente, ele está nervoso com algo. Mas quer saber? Deixa isso pra lá mesmo, deve estar preocupado com alguma outra pessoa. – conclui Túlio, ainda desconfiado.

Perto do final da missa, ele ainda pensava que o padre estaria “interessado” por sua mulher. Logo que o canto final começa, Túlio vai até o padre para saber o que está havendo. Eduardo estava nervoso e suando muito, só queria chegar até sua pequena casa para tomar um banho e refletir sobre o que aconteceu. Mas Túlio conseguiu alcançá-lo. Ainda enciumado, ele perguntava, ameaçador:

–Padre, posso perguntar algo?

–Desculpe, filho, mas e-estou com pressa.

Túlio insiste.

–Por favor!

–Depois, depois!

Enraivecido, ele simplesmente o puxa pelo braço.

–Escuta aqui, eu percebi o modo como você olha para minha mulher. Eu tenho respeito por padres, mas também não abuse. É melhor você tirar os olhos dela, meu senhor. Aliás, se bem me lembro, sua posição nem permite que você se relacione.

Eduardo quase morre de nervosismo no momento.

–E-e-e-escute aqui você, também! Eu s-s-só estava curioso, afinal v-vocês s-são novos p-por a-aqui, não? Deixe-me!

Eduardo sai correndo para sua casa e tranca a porta. Túlio, convencido de que o padre estava interessado em sua noiva, sai de lá com várias suspeitas. Logo, ele a reencontra, e ela, preocupada, pergunta:

–O que você foi falar com o padre?

–Nada.

–Você deu uma prensa nele, não é? Pelo amor de Deus, Túlio! Você tem que controlar esses ciúmes! Eu jamais te trairia, ainda mais com um padre!

–Está certo... Mas é melhor irmos para casa agora.

–Espera, eu quero cumprimentar os novos vizinhos.

–Helena, por favor, vamos. Amanhã você cumprimenta quem quiser, mas hoje eu tô de cabeça quente.

–Ok, ok... Vamos logo.

Enquanto isso, Eduardo já estava no chuveiro, tentando entender o que aconteceu.

“O que está acontecendo? Eu não consigo tirar aquela mulher da cabeça. Nunca passei por isso com novos fiéis. Não é possível, eu não posso estar apaixonado. Deus não pode estar me reservando isso... Ou pode? Não, não pode!”

Ele sai do banho, e tentar ler livros para se distrair. Ainda assim, não consegue tirar Helena da cabeça. Procurando por algum livro interessante, ele estava num ritmo frenético.

–Shakespeare, Ma-machado de Assis, D-darwin... DROGA! Preciso me conter!

Eduardo se entope de calmantes e finalmente consegue dormir. Porém, acaba acordando novamente, às 2 da manhã.

–Porcaria, o que eu tenho que fazer pra conseguir dormir, hein? Talvez eu deva ir até a igreja para relaxar e orar um pouco...

Eduardo troca de roupa e vai até a igreja. Lá, ele se senta em um banco, segurando um terço e começa a rezar em voz baixa, torcendo para que seus pedidos sejam atendidos.

Confiteor Deo omnipotenti
istis Sanctis et omnibus Sanctis
et tibi, frater,
quia peccavi in cogitatione,
in locutione, in opere,
in pollutione mentis et corporis.

Ele se levanta e observa uma imagem, e começa a suplicar:

–Ó Deus Pai, Todo Poderoso... eu imploro que não deixe esta paixão me consumir, eu imploro que não deixe Helena dominar minha mente. Sou um homem justo, puro, temente a Ti, não deixe que tal desgraça ocorra.

Eduardo se desespera e começa a gritar como nunca gritou antes:

–EU IMPLORO, PAI! EU SEMPRE ME SACRIFIQUEI POR SEU NOME, SEMPRE! E ESSA É A RECOMPENSA QUE RECEBO? UMA PAIXÃO PROIBIDA! POR QUE ME CASTIGAS ASSIM?! POR QUÊ?! NÃO SEJA INJUSTO!! FAÇA ISSO POR MIM!! EU IMPLORO POR TUDO, FAÇA ISSO!! EU SOU FRACO, MAS TU NÃO ÉS!!

Ele se ajoelha e continua a gritar:

–POR FAVOR, SENHOR!! EU NÃO TIVE CULPA DOS ABUSOS QUE SOFRI!! EU ACEITEI CADA INSULTO E AGRESSÃO DE MEUS PAIS VIGOROSAMENTE!!

Há tempos Eduardo tentava esquecer daquilo. Foi a primeira vez em décadas que isso veio à tona. Ele consequentemente começa a chorar, e suplica uma última vez:

–NÃO DEIXE QUE ELA CONSUMA MINHA SANIDADE!! NÃO DEIXE!! NÃO DEIXE QUE O MAL ME DOMINE!!

Caindo em prantos, ele se levanta e volta para sua pequena casa. Eduardo deita em sua cama, mas continua a chorar. Antes de finalmente dormir novamente, ele se pergunta, em voz baixa:

–Por que, por quê...?

O conteúdo da comunidade está disponível sob CC-BY-SA salvo indicação em contrário.