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Noivo em Fuga
SimSérie - Casamento7
Nome Noivo em Fuga
Escrito por Ludmila91
Data de lançamento 09 de novembro de 2015
Simsérie Sorriso do Acaso
Classificação Classificação Livre Livre

Cronologia
Temporada 1
Próximo Capítulo Vila Takemizu
Mudou-se

Propriedade

Sorriso do Acaso - Capítulo 1: Noivo em Fuga é de propriedade de Ludmila91. A menos que a edição seja construtiva ou de poucos detalhes, peça permissão ao autor para editar a página.


Sobre o capítulo

Aos jogadores de The Sims 2, uma receita para o desastre aguarda em quase todas as famílias pré-definidas. Os Caixão talvez tenham o cenário mais recorrente e icônico do jogo: o casamento frustrado de Cassandra. Em Sorriso do Acaso, o ponto de partida da história dessa família não será diferente. 

Todos os agradecimentos à Dora pelo tutorial paciente e detalhado!

O Capítulo

Noivo em Fuga

SDA1
Cassandra jamais achou que pudesse existir dor igual à que sentiu quando seu noivo, Don, fugiu da cerimônia de seu casamento como se fugisse da morte. Quis acreditar que era um pesadelo, nada mais que um pesadelo, que em breve ela acordaria para uma realidade menos amarga. Mas era real. Cada célula de seu corpo gritava que era real. 

Ela contemplou, estática, toda a cena que Don deixou para trás: os convidados, muito elegantes em suas roupas formais, o bufê, o bolo – o maldito bolo que, para encomendar, ela percorrera toda Belavista até encontrar uma confeitaria que o fizesse no tamanho certo, porque era o seu casamento e tudo tinha que ser perfeito... Consumira todo o juízo de Vladmir e a gasolina de Maria José, sua madrinha e melhor amiga, no processo...

SDA3

Afinal, era o casamento de uma Caixão, e quando se tratava desta família, toda SimCity esperava feitos memoráveis. Bem, ela não poderia dizer que aquela festa não estava sendo inesquecível. A julgar pelo olhar perplexo de seus convidados, eles não apagariam da memória aquele casamento nem tão cedo.

“Mais um fracasso para a coleção”, Cassandra pensou, desolada. “Logo, logo, o número de fiascos da família vai superar o de lápides no jardim”.

Em seu devaneio, a ex-futura senhora Lotário olhou para Maria José e dela para Daniel, seu marido – o casamento deles fora digno de um conto de fadas! – e então para seu pai, Vladmir, cuja expressão de tristeza era a mesma que estampou seu rosto no dia do desaparecimento de sua esposa, Laura... Ela achou que nunca mais veria aquele olhar em seu pai...

E lá estavam as gêmeas de Maria José e Daniel, Ângela e Lílite; Lílite usando um modelo de vestido preto que Cassandra até usaria, se ainda fosse adolescente, e os Bonevelho, e Alexandre, muito jovem para entender o que estava acontecendo, e Dario...

Ao encontrar os olhos azuis do pintor, que mostravam um misto de preocupação, espanto e algo mais que ela não soube precisar, Cassandra sentiu que suas últimas forças a abandonavam. Com o rosto em chamas, a jovem cientista fugiu para o seu quarto, onde estaria a salvo dos olhares julgadores de seus convidados.

Vladmir, desconcertado, logo tomou a frente. Bateu com uma colher numa taça de cristal para ganhar a atenção dos presentes e bradou:

— Bem, não vamos desperdiçar toda essa comida! Sirvam-se à vontade! Eu vou checar como a Cassandra está. Mas não se acanhem, sim? Alexandre, por favor, seja um bom anfitrião e faça todo mundo se sentir em casa.

“Como se alguém pudesse se sentir em casa num mausoléu desses”, pensou sombriamente o jovem Caixão, mas obedeceu ao pai e conduziu os convidados de sua irmã para a suntuosa mesa de jantar num canto do jardim.

Cassandra chorava copiosamente, abraçada ao travesseiro. Vladmir adentrou o aposento e sentou-se na cama. Sem dizer nada, o aposentado abraçou a filha pelos ombros, conduziu-a para a sala de estar, no andar de baixo, e serviu duas taças de vinho.

SDA5

— M-mas pai – Cassandra protestou, em meio às lágrimas – esse vinho não era para uma ocasião especial?

— Meu bem – Vladmir respondeu, sentando-se ao lado da filha – se isso não é uma ocasião ‘especial’, eu não sei o que mais seria. Quero dizer, minha filha certamente está precisando de uma boa dose de álcool nas veias. Que espécie de pai negaria isso, não é verdade?

Mesmo aos prantos, Cassandra conseguiu sorrir e tomou um gole de vinho. Depois de algum tempo em silêncio, a moça suspirou e perguntou, mais para si mesma que para Vladmir:

— Eu tenho algo de tão errado assim? Eu sempre soube que o Don era areia demais para o meu caminhão, mas eu achei que... Que talvez a sorte tivesse batido à minha porta ou coisa assim...

— Cassie – Vladmir a censurou. – Nunca, eu repito, nunca, diga isso de novo na minha frente. Sequer ouse pensar semelhante coisa. Você é linda. Você não é o problema.

SDA6

— M-mas... Ele fugiu tão desesperado...

— Meh! O Lotário? Dá pra ver nos olhos dele que aquele não é um tipo que se amarra a uma mulher só, minha filha. É o que eu sempre achei. Mas você estava tão feliz que não teria me escutado...

Cassandra suspirou.

— O senhor nunca o aprovou, não é, papai?

— Nunca.

— Acho que a felicidade conjugal não está nos genes dos Caixão – Cassandra constatou, com um sorriso triste, após mais silêncio entre um gole e outro.

— Não diga isso, filhinha... Você sabe que o que aconteceu com sua mãe foi um caso isolado. E vovô e vovó também foram vítimas de um infortúnio, mas tiveram um casamento feliz... Não predetermine seu destino pela má sorte dos outros.

— ...

— E eu não posso dizer que não fui feliz com sua mãe, Cassandra. Por quase 30 anos, fui mais feliz do que achava que seria capaz.

Cassandra se calou. Pensar na mãe desaparecida reabria velhas feridas e a última coisa que ela precisava agora era mais um motivo para chorar. Vladmir, no entanto, mergulhou nas próprias conjecturas e só voltou a si quando a filha o chamou, após tantos minutos de silêncio.

— Pai?

— Sabe de uma coisa? Você precisa de umas férias, Cassandra. Todos nós precisamos. Eu havia guardado uma surpresa como presente de casamento, mas... – Vladmir tirou um envelope da cômoda – Aqui. São duas passagens para a Vila Takemizu. Como não vai haver mais lua-de-mel, eu vou ligar pra agência, incluir mais uma pessoa no pacote... E vamos descobrir os segredos do Extremo Oriente juntos, eu, você e o Alexandre. O que você acha?

Nesse momento, o Caixão mais jovem adentrou a sala, parecendo exausto.

— Todos estão bem servidos e bebendo bastante vinho, acho que consegui... – ele bufou. — Cassie... Não vai mais ter casamento? – ele foi até a irmã mais velha.



SDA7

Naquele momento, Cassandra sentiu em seu coração uma enorme ternura por sua família. Aninhou Alexandre em seu colo e sussurrou:


— Não, Alex. Mas vai haver uma coisa muito melhor. Nós vamos viajar. Só os três. O que você acha de conhecer a Vila Takemizu?

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